segunda-feira, 2 de abril de 2012

Mártir - pesca do lado que não tinha!



Sempre encaixei seus olhos numa canção que talvez seja um terço da grandiosidade da sua música:

"De onde é que vem esses olhos tão tristes?
(...) De onde é que salta essa voz tão risonha?"

Eu tinha vontade de guardar aquela alma num lugar onde ela fosse menos
solitária... Podia ser num abraço amigo! Podia ter sido...

Era engraçado ver como se manifestava aquela falta. Olhando de cima, só se via
ciscando pra cá, arranjando um milho acolá, cacarejando uma espiga aqui...
Mas por que, se em casa a dispensa era tão rica?

Todos pensam: Que horror! Se porta como galinhas!
Eu também já esbravejei contra esse jeito que nunca sacia. Mas com seres humanos não dá pra ser maniqueísta!Procurei o outro lado que eu ainda não via...

Como podia caber maldade naquela música tão sublime? Não podia ser verdade! Não naquelas notas, não naquela melodia triste e encantadora...

Foi então que eu entendi que seu outro lado não exite! O lado galinhas é o mesmo lado de melodia sublime. Você é pra sempre metade! Carente de algum afeto bonito, mas que nunca existirá por muito mais que 48 horas.

Entendo! Embora não sinta e não concorde.

Eu tão indivídua, você tão incompleto. E mesmo assim nos encontramos! Talvez até por isso nos encontramos. Dois esbarrões que juntos não somariam um minuto...mas que lateja de quando em vez!

Sua insaciedade que me faz diluir os poucos segundos de presença eternizada.

- Encantada! Mas florida demais pra tua malícia.


Jeito de Mato