domingo, 24 de novembro de 2019

O próximo desafio do homem de lata...



Tentou bater, mas sempre esteve no ritmo errado
Sonhou em se dar, sem nunca ter tido ninguém interessado
Passou pelas piores mãos e saiu cada vez mais machucado,
E já não vê mais sentido em continuar,
Mas por sobrevivência, o coração tenta suportar:

- Ai ai, meu coração! Tá doendo! Eu não posso parar?
- Se parar, morre - ele responte - aperta de novo! O sangue tem que circular...

- Mas ai! Ai! Coração! Ta solitária a dor do aperto, tá apertando a dor da solidão.

Passa, um. Tento entregar:
- Cuida disso pra mim, por favor? Não aguento mais cuidar!!!
Mas parece que todo mundo cansa! Aperta demais e machuca...
Aperta de menos e fico fraca, o sangue não consegue voltar...

- Mas pra que isso coração? Funciona sozinho, eu não tenho mais braço pra te bombear!

- Só com amor eu sou orgânico. Sem ser amado, eu sou mecânico.

- Mas coração, o que posso fazer? Até tenho amor pra dar, mas ninguém pra receber.
E o amor que precisa ser entregue a você, não consigo ninguém pra preencher.

- Se você cansou só há uma coisa a fazer: virar pedra. Você não vai morrer, mas também não vai viver...

- Não pode ser só pra descansar e depois eu volto a te bombear...

- Apertar pedra? Quebra...

- Então eu tenho que continuar te contraindo, comprimindo, esmagando, pra talvez um dia você conseguir funcionar?

- É nossa única chance de não tornar vão todo cansaço do braço, de descobrir o que é a vida sem o aperto, de saber o que é ser um coração sem estar moldado com as marcas da própria mão...

- E se nada nunca acontecer?

- Isso não é pergunta que eu possa responder. Eu nasci sem tudo que um coração precisa ter, mas sem esperança coração nenhum consegue ser.