Chega na sua porta todos os dias vasos de "paixão", vasinhos de "acolhimento", umas pétalas soltas de "compreensão", botões de "carícia", sementes de "companheirismo", pé de "saudade" carregado de "abraço", buquês com "sorriso", "admiração" e "olhar apaixonado", tudo em caixas e embrulhos que eu achava que eram feitos de felicidade... Mas que analisando melhor deve ser de outro material como carência, ou qualquer outra coisa menos nobre. O que tem dentro, não! O que tem dentro é mesmo o mais puro que eu tinha guardado. Mas eu sei que tá virando entulho na sua porta, que você já tem tudo isso, que você não fez esse pedido, que eu preciso dar espaço pra você sair com tranquilidade da sua própria casa e que você não deve pagar essa conta de valor abusivo chamada "me corresponda".
É megalomaníaco te entregar tudo isso e você não tem obrigação de receber.
Eu agradeço você nunca ter jogado nada fora, ou ter tocado fogo em tudo, mas gentilmente ir me dando o tempo de perceber que não é pra você nada disso.
Agora eu entendi e eu vou devolver pra terra... tá tudo murchando, mofando e causando dor! Mas vai virar um adubo e tanto, e que o há de ser vai nascer com muita força.
Inclusive hoje de manhã eu achei algumas mudas que seu cuidado fez brotar...e são elas que eu vou nutrir daqui pra frente. Tenho aqui "um pouco mais de vida", "ilusão" (essa nasce selvagem e fui eu que reguei. Sei que já deu o tempo dela ir embora, mas não vou descartá-la com desprezo porque foi ela que ajudou a "vida" a se manter e olha o quanto a "vida" tá linda agora), "artistas novos", "autores pra conhecer um dia", "cuidado pra não me machucar", "verdade onde precisava", "valor em quem eu sou"!
Por todas elas te entrego "gratidão". Parece coisa da moda, mas ela é poderosa e de verdade.
Essa não faz mal, não toma espaço e te fortalece!
Essa você recebe?
Essa você recebe?

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